O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo. Teve gente que perdeu o sono, discutiu no grupo da família, jurou nunca mais assistir futebol… até o próximo jogo.

Mas existe um jogo muito mais longo e muito mais difícil que esse. É aquele disputado diariamente dentro da nossa cabeça.

A ansiedade já recebeu, com razão, o apelido de “mal do século”. Nunca tivemos tantos recursos, tanta tecnologia e, ao mesmo tempo, tantas pessoas cansadas, preocupadas e incapazes de desligar a mente.

O curioso é que muita gente acredita que o problema começa na hora de dormir.

Na verdade, quase sempre ele começa muito antes.

É comum receber pacientes que dizem: “Doutora, eu só queria conseguir dormir.” Quando investigamos melhor, percebemos que o cérebro passou o dia inteiro funcionando como se estivesse em uma final de Copa do Mundo. Trabalho, contas, trânsito, redes sociais, excesso de estímulos… o organismo permanece em estado de alerta durante horas.

Nesse cenário, o grande protagonista costuma ser o cortisol.

O cortisol não é um vilão. Muito pelo contrário. É um hormônio essencial para nos manter acordados, produtivos e preparados para enfrentar desafios. O problema acontece quando ele permanece elevado o dia inteiro e invade a noite. O cérebro simplesmente não entende que o jogo acabou.

E então vem a tentativa de resolver tudo apenas com um comprimido para dormir.

Muitas pessoas recorrem aos famosos medicamentos de tarja preta. Eles podem ser extremamente importantes quando bem indicados pelo médico, mas existe um detalhe que pouca gente conhece: sedação não é necessariamente sinônimo de sono reparador.

É perfeitamente possível apagar à noite e, ainda assim, acordar cansado, sem disposição e com a sensação de que a bateria nunca carregou completamente.

Por isso, antes de perguntar “como faço para dormir?”, muitas vezes vale perguntar: por que meu organismo não consegue relaxar?

É exatamente aí que entra uma abordagem mais integrativa.

Como farmacêutica, gosto de olhar além do sintoma. Meu objetivo não é apenas fazer alguém dormir. É entender por que aquele organismo perdeu o equilíbrio.

Avaliamos hábitos, alimentação, exames laboratoriais, vitaminas, minerais, inflamação, saúde intestinal, metabolismo energético e os mecanismos bioquímicos relacionados ao estresse. Em muitos casos, quando conseguimos modular esse terreno, melhorar o humor e controlar a ansiedade ao longo do dia, o sono volta a acontecer de forma muito mais natural.

Dormir bem deixa de ser uma luta e passa a ser consequência de um organismo equilibrado.

Afinal, o melhor placar não é o da Copa. É acordar pela manhã sentindo que seu corpo finalmente venceu a partida contra o estresse.

E agora eu quero saber de você: Como anda o seu placar ultimamente? Você tem dormido porque está realmente descansando… ou apenas porque seu corpo apagou de exaustão?

Se perceber que ansiedade, humor e sono já não estão jogando no mesmo time, talvez seja a hora de investigar as causas, e não apenas silenciar os sintomas. Uma avaliação individualizada pode ser o primeiro passo para devolver equilíbrio ao metabolismo e qualidade de vida.

Natasha Mayer é farmacêutica, formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), pós graduada em Cosmetologia pela Faculdade Oswaldo Cruz – SP, em Saúde Estética pela Biocursos e em Gestão de Empresas pela Fundação Dom Cabral, Mestre em Engenharia de Produção pela UFAM. E CEO da Pharmapele Manaus.

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