O projeto “Olhai por Nós – A Visão da Juventude Amazônida”, organizado pelo coletivo Arte Ocupa, abre inscrições para sua primeira edição a partir desta terça-feira (15). A iniciativa vai selecionar 10 jovens moradores de áreas periféricas de Manaus para uma imersão no universo da fotografia. As inscrições permanecerão abertas durante um mês e poderão ser feitas gratuitamente por meio do perfil do coletivo no Instagram.
Além de oferecer o primeiro contato com a fotografia, o projeto garante oficinas ministradas por fotógrafos profissionais durante três meses. Os participantes também receberão uma bolsa de estudos mensal de R$ 450. Ao final da formação, uma fotografia produzida por cada aluno integrará uma exposição coletiva no Museu da Cidade de Manaus.
Como se inscrever
Para participar, basta acessar o perfil do coletivo Arte Ocupa no Instagram (@arteocupa) e preencher o formulário digital disponibilizado na plataforma.
Além da inscrição on-line, a equipe do projeto também promoverá ações presenciais em comunidades, escolas e eventos para receber os interessados.
Posteriormente, o resultado será divulgado nas redes sociais do coletivo e comunicado aos selecionados por e-mail, WhatsApp ou ligação telefônica.
Quem pode participar
O projeto é destinado a jovens entre 15 e 29 anos que vivem em bairros periféricos, comunidades, ocupações, bodozais ou áreas historicamente pouco representadas de Manaus.
Além disso, não é necessário possuir experiência anterior com fotografia nem atuar como artista. No entanto, candidatos menores de 18 anos deverão apresentar autorização assinada pelo responsável legal, além da autorização para uso de imagem.
O edital completo ficará disponível no perfil do coletivo Arte Ocupa no Instagram a partir da abertura das inscrições, em 15 de julho.
Projeto busca ampliar o acesso à formação artística
“Olhai Por Nós – A Visão da Juventude Amazônida” tem coordenação geral de Sarah Campelo e articulação pedagógica de Alex Costa. Segundo os organizadores, a iniciativa nasceu do interesse comum em ampliar o acesso à formação artística para jovens das periferias de Manaus.
Para Sarah Campelo, o projeto possui diferentes objetivos.
“Uma delas é colocar a juventude como protagonista; a outra é falar sobre as periferias a partir de um olhar de dentro, livre do imaginário violento que lhes é imposto”.
Já Alex Costa destaca o potencial transformador da fotografia.
“O projeto reúne essas inquietações e aposta no olhar da juventude como protagonista das narrativas sobre a cidade”, ele explica.
Sobre o nome do projeto, Sarah Campelo afirma que ele foi inspirado na faixa “Mesmo Proibido, Olhai Por Nós”, que acompanhava a imagem do Cristo Redentor coberta por um saco plástico escuro durante o desfile “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, de 1989, idealizado por Joãozinho Trinta para a escola de samba Beija-Flor.
Formação terá oficinas e atividades práticas
Durante três meses, os participantes desenvolverão atividades que incluem diálogos, dinâmicas e exercícios de criação. As oficinas serão conduzidas por cinco fotógrafos profissionais, que ainda serão anunciados.
Segundo Alex Costa:
“A ideia é que cada jovem desenvolva não apenas habilidades técnicas, mas também um olhar mais sensível e crítico sobre a realidade que o cerca”.
Além disso, as fotografias poderão retratar diferentes aspectos do cotidiano dos participantes, como família, clima, arte, memória e território.
Sarah Campelo explica:
“Ao fotografar a própria vida, a cultura e o lugar onde vivem, esses jovens passam a observar com mais atenção tudo o que os cerca, desenvolvendo um olhar atento”.
Para garantir a participação de todos, o projeto disponibilizará câmeras digitais compartilhadas entre os 10 jovens durante o período de formação. Os participantes também poderão utilizar equipamentos dos mentores ou, se preferirem, seus próprios celulares.
Exposição reunirá trabalhos produzidos pelos participantes
Ao término da formação, cada participante terá uma fotografia selecionada para integrar uma exposição coletiva no Museu da Cidade de Manaus.
Alex Costa explica que a escolha será feita em conjunto.
“considerando não apenas a qualidade técnica das imagens, mas principalmente a força das histórias que elas contam”.
Já Sarah Campelo ressalta a importância desse momento.
“é celebrar esse percurso e possibilitar que esses 10 participantes entrem em um museu como artistas”.
Ela também acrescenta:
“o público amazonense necessita do olhar desses jovens, a nossa sociedade precisa reconhecer a potência da juventude”.
Expectativa é fortalecer novas narrativas sobre a Amazônia
Alex Costa afirma que espera incentivar os participantes a reconhecerem o valor de suas próprias histórias.
“Minha maior expectativa é que os participantes saiam do projeto acreditando no potencial do próprio olhar e compreendendo que suas histórias merecem ser contadas”.
Além disso, ele destaca o impacto cultural da iniciativa.
“Mais do que formar fotógrafos, queremos formar pessoas que enxerguem valor em seus territórios e se sintam protagonistas das transformações que desejam construir”, ele conclui.
Sobre o coletivo Arte Ocupa

Fundado em Manaus em 2021, o Coletivo Arte Ocupa desenvolve projetos artísticos, culturais e sociais voltados à valorização de territórios periféricos como espaços de criação e resistência.
Atualmente, o grupo reúne artistas, educadores e agentes culturais da Amazônia. Entre as ações realizadas estão exposições de artes visuais, oficinas, rodas de conversa, palestras e intervenções culturais.
Além disso, o coletivo mantém atuação permanente na comunidade Mossoró, promovendo iniciativas como muralismo em residências, sessões de cinema, distribuição de cestas básicas e oficinas voltadas ao fortalecimento da expressão artística e comunitária.
Serviço
O que: Inscrições para a primeira edição do projeto “Olhai Por Nós – A Visão da Juventude Amazônida”
Quando: A partir de 15 de julho.
Onde: Pelo Instagram do coletivo Arte Ocupa (@arteocupa) ou em ações presenciais divulgadas previamente.
Como participar: Preenchimento da ficha de inscrição e envio dos documentos exigidos no edital.
