O Ministério Público do Amazonas (MPAM) recorreu da decisão que concedeu prisão domiciliar à irmã de Mayara Silva da Silva, investigada pela morte do investigador da Polícia Civil Luciano Carvalho de Sena. Com o recurso, o órgão pede que a mulher deixe a prisão domiciliar e cumpra a prisão preventiva em uma unidade prisional.

Na audiência de custódia realizada neste sábado (25), a Justiça homologou as prisões em flagrante e decretou a prisão preventiva dos quatro investigados. No entanto, o juiz substituiu a prisão preventiva da irmã de Mayara por prisão domiciliar, já que ela está grávida. Além disso, determinou o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

Agora, o MPAM tenta reverter essa decisão no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

MP aponta gravidade do caso

No recurso, o Ministério Público afirma que o caso foge da regra geral de substituição da prisão preventiva por domiciliar. Segundo o órgão, há indícios de que a investigada integra uma organização criminosa de alta periculosidade.

Além disso, os promotores destacam a apreensão de 829 tabletes de maconha, com 862,6 quilos, e outros 10 tabletes de cocaína, que totalizam 11,2 quilos. A operação também apreendeu coletes balísticos, munições de calibre restrito, uma máquina de contar cédulas e uma seladora a vácuo.

Para o MPAM, a investigada “não é uma traficante eventual ou de varejo”. Por isso, o órgão sustenta que a prisão domiciliar não protege a ordem pública e pede que a Justiça restabeleça o cumprimento da prisão preventiva no presídio.

Caso envolve morte de investigador do Denarc

O recurso faz parte das investigações sobre a morte do investigador do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Luciano Carvalho de Sena, de 44 anos.

O policial morreu durante um confronto com suspeitos no bairro Alvorada, na zona Centro-Oeste de Manaus, enquanto participava de uma operação contra o tráfico de drogas.

Depois do crime, a Polícia Civil divulgou cartazes à procura de Mayara Silva da Silva e Rafael Pereira Freitas. Conforme a corporação, os dois participaram do confronto que terminou com a morte do investigador.

As equipes localizaram Mayara na sexta-feira (24), no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus. A Justiça manteve a prisão preventiva dela.

Já Rafael foi encontrado na manhã deste sábado (25), em Novo Remanso, distrito de Itacoatiara. Segundo a Polícia Civil, ele reagiu à abordagem, entrou em confronto com policiais do Denarc e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e morreu durante a ação.

PM também é investigado

Outro preso no caso é o cabo da Polícia Militar Bruno Everson Pinto dos Santos.

A Polícia Civil afirma que um vídeo mostra o militar trocando a placa de um carro que passou a integrar as investigações. Agora, os investigadores analisam quando ocorreu a adulteração e qual era a relação do veículo com os suspeitos.

Além disso, um áudio atribuído ao cabo também entrou na investigação. Na gravação, ele afirma que colocaram drogas dentro do carro dele. A Polícia Civil apura a veracidade da declaração e busca identificar a origem dos entorpecentes, quem utilizava o veículo e qual foi a participação de cada investigado.

Enquanto isso, a Polícia Militar instaurou uma sindicância para apurar a conduta do cabo. A corporação informou ainda que adotará as medidas administrativas cabíveis conforme o avanço das investigações.

Defesa

A reportagem tentou contato com a defesa do cabo Bruno Everson Pinto dos Santos para solicitar um posicionamento. No entanto, não recebeu resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

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