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CHEIA 2022

Saúde do AM alerta para prevenção de doenças causadas pela cheia dos rios

Diarreia aguda, leptospirose, hepatite A e acidentes por animais peçonhentos são mais comuns nesse período

Vigilância FVS-RCP
Uma das principais medidas de prevenção é garantir o uso de água adequada para consumo humano. - Girlene Medeiros/FVS-RCP, Divulgação/FVS-RCP e Kássio Moraes

Manaus (AM) – A Vigilância em Saúde do Amazonas alerta para a prevenção às doenças transmitidas por água a partir da cheia dos rios, que ocorre anualmente no estado.

A doença que tem mais notificação é a Doença Diarreica Aguda (DDA), cujo monitoramento é realizado a partir de unidades de saúde pediátricas sentinelas.

A DDA corresponde a um grupo de doenças infecciosas gastrointestinais que, a depender do agente causador da doença e de características individuais dos pacientes, pode evoluir clinicamente para quadros de desidratação que variam de leve a grave.

São caracterizadas pela ocorrência de, no mínimo, três episódios de diarreia aguda em 24 horas.

No Amazonas, o monitoramento de DDA é realizado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), instituição vinculada à instituição vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).

Somente de janeiro a junho deste ano, já foram liberados 1,6 milhão de frascos de hipoclorito de sódio para tratamento de água para consumo humano para os municípios.

A FVS-RCP monitora o cenário e orienta os municípios no sentido de aplicar medidas necessárias identificadas a partir da realidade apresentada em cada município. Alertamos as vigilâncias municipais para que seja realizada intervenção de forma pontual nos locais onde há registro de casos”, detalha Tatyana Amorim, diretora-presidente da FVS-RCP.

Somente em 2022, de janeiro até maio, foram registrados 81.190 casos. Desse total de casos, 42% (34.492) correspondem a notificações realizadas pela Vigilância em Saúde de Manaus.

Em 2021, também de janeiro a maio, foram registrados 52.350 casos de DDA no Amazonas. Já em todo o ano de 2021, foram 169.456 notificações no estado.

Os dados foram consolidados pela FVS-RCP, instituição vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), e não representam números absolutos, já que correspondem a monitoramento sentinela, realizado a partir de unidades de saúde pediátricas no estado.

Trata-se de uma amostragem realizada a partir de atendimentos realizados para o público infantil que desponta como público mais sensível para a ocorrência de Doenças Diarreicas Agudas. Por isso, não se pode mencionar aumento de casos de Doenças Diarreicas Agudas, mas sim destacar a intensificação da sensibilidade das vigilâncias municipais”, ressalta Daniel Barros, diretor técnico da FVS-RCP.

Outras doenças

O animal com maior número de ocorrência é a serpente, que representa 70% dos casos registrados. – Girlene Medeiros/FVS-RCP, Divulgação/FVS-RCP e Kássio Moraes

Entre as doenças transmitidas durante o período de cheia dos rios no Amazonas está a leptospirose, que ocorre a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente ratos). De janeiro a março deste ano foram notificados 34 casos, sendo sete confirmados no Amazonas.

Outra doença com ocorrência durante as inundações é a hepatite A, cuja transmissão se dá por meio da ingestão da água e alimentos contaminados. Foram 262 casos confirmados no Amazonas, de janeiro a maio deste ano, sendo 144 em Manaus, capital do estado.

A cheia também reflete na ocorrência de acidentes por animais peçonhentos em todo o estado. De janeiro a maio de 2022, foram registrados 1.391 registros de acidentes.

O animal com maior número de ocorrência é a serpente, que representa 70% dos casos registrados.

Prevenção

As medidas de prevenção e controle das doenças ocasionadas pela alteração dos níveis das águas dos rios estão relacionadas, principalmente, aos cuidados com a água para consumo humano, garantindo o uso de água potável, filtrada, fervida ou clorada.

É importante também evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas.

Ao realizar limpeza de lama, entulhos e desentupir esgotos, devem ser usadas botas e luvas de borracha (ou sacos plásticos amarrados nas mãos e nos pés).

Especificamente em relação à prevenção de acidentes por animais peçonhentos, é necessário ter atenção sobre o acondicionamento e destino adequado do lixo, manutenção da limpeza dos jardins e quintais das residências e prevenção da formação de ambientes favoráveis ao abrigo de escorpiões, por exemplo, como em obras de construção civil que podem deixar entulhos.

A FVS-RCP orienta que as pessoas que estejam com suspeita dessas doenças, como a doença diarreica, por exemplo, procurem um serviço de saúde, até mesmo para evitar um quadro de desidratação, agravamento que pode ocorrer principalmente em crianças e idosos. Na unidade de saúde, o médico solicita a reposição hídrica, caso necessário”, afirma Alexsandro Melo, chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP.

Em caso de acidentes com animais peçonhentos, o paciente deve procurar o mais rápido possível a unidade de saúde mais próxima para o atendimento e, se necessário, receber o soro compatível.

Em Manaus, os atendimentos de pacientes vítimas de acidentes por animais peçonhentos são realizados na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), que é referência de tratamento com soroterapia para esses tipos de acidentes.

Os números para contato telefônico da instituição são (92) 2127-3555, 2127-3401 e 2127-3519.

*Com informações da Agência Amazonas

Edição Web: Bruna Oliveira

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