O pastor Silas Malafaia declarou, em um vídeo, divulgado nesta quinta-feira (18), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria se valido do estado emocional delicado de Jair Bolsonaro, que está preso, para obter do pai um sinal verde para lançar uma candidatura à Presidência da República em 2026.
Na gravação, Malafaia reprova a forma como Flávio tornou pública a intenção de concorrer ao Planalto.
Malafaia acusa Flávio de agir sem articulação política
Aliado de longa data do ex-presidente, o líder evangélico classificou a iniciativa como politicamente imprudente e mal conduzida.
O pastor afirmou que a decisão ocorreu durante uma conversa privada, sem a presença de terceiros, poucos dias após a prisão de Bolsonaro.
Além disso, Malafaia disse ter estranhado o fato de o assunto não ter sido tratado com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em um encontro realizado na véspera.
Na avaliação do pastor, o senador agiu de forma isolada, sem dialogar com o próprio partido ou com lideranças do centro político.
Ainda assim, optou por anunciar a decisão diretamente nas redes sociais. “Isso não é herança de negócio de família. O que está em jogo é o Brasil”, afirmou no vídeo.
Malafaia sustenta que Flávio não possui “musculatura política” suficiente para liderar uma candidatura presidencial.
Segundo ele, a direita não vence eleições nacionais sem alianças fora de seu campo ideológico.
De acordo com sua análise, o bolsonarismo reúne atualmente entre 25% e 30% do eleitorado, percentual considerado insuficiente para garantir vitória em um pleito nacional.
O pastor também criticou o que chamou de “radicalismo burro” dentro da direita, que, em sua avaliação, se orienta mais pela emoção do que pelo cálculo estratégico.
Por isso, defendeu a construção de pontes com o centro político e rejeitou o que classificou como “falso puritanismo” na política.
Tarcísio surge como alternativa para 2026
Na mesma gravação, Malafaia apontou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o nome mais competitivo da direita no momento, com Michelle Bolsonaro como possível vice.
Segundo ele, Tarcísio demonstra maior capacidade de articulação e diálogo fora do núcleo bolsonarista. O pastor afirmou que suas críticas não têm caráter pessoal.
Disse ter votado em Flávio para o Senado e que faria o mesmo novamente, mas descartou apoio a uma eventual candidatura presidencial. “Eu disse para ele: você não tem musculatura”, relatou.
Tarcísio é visto com mais simpatia do que Flávio ou Michelle Bolsonaro não apenas por Malafaia, mas também por outras lideranças evangélicas.
O anúncio do senador surpreendeu esses interlocutores e reforçou a percepção de que a decisão foi tomada sem consulta prévia ao grupo.
Além disso, uma eventual chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro apresenta rejeição de 62%, segundo a mais recente pesquisa Genial/Quaest.
Por fim, ainda assim, ele aparece à frente de Tarcísio no primeiro turno, mas perde para o presidente Lula por dez pontos no segundo turno, de acordo com as projeções.
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(*) Com informações da Folha de S.Paulo
