A narrativa tradicional que aprendemos nos bancos escolares, de que o Brasil foi “descoberto” casualmente em 1500, enfrenta um desafio crescente por parte de evidências arqueológicas e teorias que sugerem um passado muito mais antigo e complexo. 

Para nós, habitantes de Manaus, esse debate ganha uma dimensão especial, indicando que o Estado do Amazonas e seus rios monumentais foram o palco de explorações de civilizações extra-americanas milênios antes da chegada do português Pedro Álvares Cabral.

Uma das teorias mais intrigantes, defendida pelo pesquisador austríaco Ludwig Schwennhagen — que, inclusive, proferiu uma palestra histórica em um instituto no Amazonas em 1910 — sugere que o Brasil foi amplamente explorado pelos fenícios entre 1100 a.C. e 1500 d.C.. 

Schwennhagen e outros investigadores propõem que a região amazônica era a verdadeira “Terra de Ofir” citada na Bíblia, um local de riqueza incalculável de onde o Rei Salomão extraía ouro, pedras preciosas e madeiras nobres.

De acordo com essa perspectiva, o Rio Amazonas servia como uma via navegável que permitia aos fenícios atravessarem o continente até o Peru, onde estabeleciam contato com os incas para obter metais como a prata. Mais impressionante ainda é a sugestão de que o nome do Rio Solimões não seria uma derivação indígena, mas sim uma homenagem direta ao Rei Salomão (Solimões seria uma corrupção de “Salomão”), cujas frotas teriam estabelecido rotas comerciais regulares nestas águas.

A imensa quantidade de madeira necessária para a construção do Templo de Salomão teria sido extraída, em grande parte, da própria região amazônica, dada a abundância de materiais como a madeira de “almugue” mencionada nos textos bíblicos.

Herança de Atlântida

A história alternativa do Brasil também passa por tecnologias que a ciência moderna ainda tem dificuldade em explicar. Pesquisadores sugerem que povos antigos possuíam o conhecimento para “amolecer” ou derreter pedras por meio de extratos vegetais, permitindo construções com encaixes perfeitos que são vistos em diversas partes do mundo e da América Latina.

Essas técnicas seriam remanescentes da civilização de Atlântida, cujos sobreviventes teriam se espalhado pelo globo, incluindo o Brasil. 

Relatos de tribos como os Tupinambás e Tabajaras, ouvidos pelo Padre Antônio Vieira, mencionam que seus antepassados migraram para o Norte do Brasil fugindo de uma terra que foi tragada pelo mar, o que reforça a tese de uma conexão com o continente perdido.

Se existem tantas evidências — como vasos fenícios encontrados no litoral, inscrições em pedras (como a Pedra do Ingá ou a Pedra da Gávea) e correlações linguísticas entre o Tupi e línguas semíticas — por que isso não é ensinado nas escolas?

Fontes apontam para uma “arqueologia proibida”, onde o sistema acadêmico resiste ferozmente a qualquer descoberta que saia dos cânones estabelecidos.

Arqueólogas respeitadas no Brasil enfrentaram descrédito ao apresentar dados que recuam a presença humana no país: Niéde Guidon encontrou vestígios de fogueiras de 50.000 anos no Piauí, algo duramente questionado pela academia.

Maria da Conceição Beltrão, pioneira na área, analisou ferramentas líticas na Bahia que dataram impressionantes 300.000 anos, o que lhe custou represálias e isolamento profissional.

Existe, segundo os pesquisadores, uma campanha de acobertamento movida pelo medo de perda de reputação e emprego por parte de acadêmicos que preferem “enterrar” evidências a questionar o status quo.

Nada a ver com o Pau-Brasil

Foto: Divulgação

Até mesmo a origem do nome do nosso país é colocada em xeque. Longe de derivar apenas do Pau-Brasil, o nome “Brasil” já aparecia em mapas medievais como a ilha de “Hy-Brasil” ou “Rai Brasil”, uma terra afortunada ou “abençoada” na tradição celta/irlandesa. 

Mapas anteriores a 1500 já registravam essa nomenclatura, sugerindo que o conhecimento sobre estas terras era sobejamente difundido entre navegadores antigos, muito antes da expedição portuguesa oficial.

A história do Amazonas e do Brasil, vista por essa lente, não é a de uma terra virgem “descoberta” há 500 anos, mas a de um centro nevrálgico de civilizações globais milenares. 

Valorizar nosso estado e nossos rios significa também reconhecer que o Solimões e o Amazonas podem guardar, sob suas correntezas, os segredos do Templo de Salomão e as pegadas de navegadores que viam o oceano não como uma barreira, mas como uma ponte.

Para compreender essa magnitude, imagine que a nossa história oficial seja como a ponta de um iceberg visível acima da água. As evidências ignoradas representam a vasta massa submersa que, embora oculta aos olhos desatentos, é o que realmente sustenta a verdade sobre quem somos e de onde viemos.

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