O debate acalorado entre os deputados Roberto Cidade (União Brasil) e Daniel Almeida (Avante), que ocorreu na manhã de terça-feira (24) durante o Pequeno Expediente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), promete ter continuidade no âmbito jurídico. Por meio da assessoria, Almeida confirmou que adota providências administrativas e judiciais em relação ‘aos colegas’ envolvidos. O documento deve ser protocolado no judiciário a qualquer momento.

“O deputado acionou o jurídico para tomar as providências administrativas e judiciais em face dos colegas que o injuriaram”, informou a assessoria de Daniel Almeida.

Por outro lado, ao ser questionada, a assessoria de Roberto Cidade, não confirmou qual direcionamento o presidente da casa legislativa deve seguir, após o bate-boca. Mas, se restringiu em manter a afirmação externada pelo parlamentar durante o pronunciamento em que falou contra o prefeito David Almeida. “A Justiça será feita. Quem praticou crime será condenado. As instituições precisam ser respeitadas. Ninguém está acima da lei”, disse.

Confronto e o ‘empobrecimento político’

Para o cientista político André César, embates como o ocorrido na Aleam na terça-feira, revelam uma mudança expressiva no perfil parlamentar brasileiro. Ele relata que historicamente o respeito prevalecia entre os concorrentes políticos.

“Quando um parlamentar chama o outro de algo, joga no ‘ar’ sem ter prova, ocorre a destruição de reputações. A tendência, por se tratar de ano eleitoral, é que eventos como esse se repitam não só na Aleam, mas inclusive na Câmara dos Deputados e no Senado. Isso mostra o empobrecimento da política tal qual conhecemos”, analisou o cientista. “Ao invés de discutirem propostas e sugestões para o engrandecimento do Amazonas, partem para as ofensas pessoais”, completou.

Na mesma linha de pensamento, o cientista político Carlos Santiago, avalia que embates como o ocorrido na Aleam envolvendo Cidade e Almeida enfraquecem a imagem parlamentar perante a população. Santiago defende a aplicação de uma agenda positiva por parte dos parlamentares, ações que deveriam ter como foco a real melhoria de vida da população.

“Se continuar nessa onda de agressões verbais e pessoais o poder legislativo do Amazonas tende a aumentar ainda mais o seu desgaste perante a sociedade. Eles (os deputados) poderiam fazer uma agenda positiva para melhorar a vida da população. Esse conflito também demonstra que a eleição para o governo começou muito cedo, bem antes das convenções partidárias e mostra que a eleição será muito acirrada”, comentou.

O caso

O confronto começou depois que Daniel Almeida saiu em defesa do irmão, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ao falar sobre a Operação Erga Omnes, que resultou na prisão de Anabela Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito, na sexta-feira (20/02). A operação investiga envolvimento de servidores e ex-assessores parlamentares com a facção Comando Vermelho (CV), no Amazonas.

Em seu discurso, Roberto Cidade afirmou que o prefeito ultrapassou todos os limites ao tentar desqualificar a atuação da Polícia Civil, do Ministério Público e do Tribunal de Justiça, instituições que participaram da operação que mirou o braço político do Comando Vermelho.

Leia mais:

VÍDEO: Roberto Cidade chama Daniel Almeida de ‘moleque’ e ‘alcoólatra’ durante bate-boca na Aleam