O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista a jornalistas em Washington que o pacote de renegociação de dívidas está pronto para ser anunciado. Segundo ele, o anúncio depende apenas da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O anúncio está pronto hoje. Depende da agenda do presidente Lula”, afirmou Durigan.

Programa será dividido em três frentes

O pacote de renegociação de dívidas será estruturado em três eixos. O programa deve atender famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas.

De acordo com o ministro, a apresentação pode ocorrer de forma unificada ou em etapas, dependendo da definição do governo.

Além disso, o objetivo central é reduzir o peso das dívidas no orçamento das famílias e empresas.

Medida busca reduzir juros de dívidas mais caras

O programa prevê a troca de dívidas com juros elevados por modalidades mais baratas, como crédito consignado e operações com garantia.

Entre os exemplos estão o rotativo do cartão de crédito e o crédito direto ao consumidor.

“A gente não vai ter gasto primário”, disse Durigan ao explicar a estrutura do programa.

Segundo ele, a União deve atuar como garantidora das operações, sem uso direto de recursos do Tesouro para subsídios.

Foco está em famílias de baixa renda

O governo informou que o público-alvo principal será a população de baixa renda. O programa deve atender famílias inscritas no CadÚnico, com renda de até dois salários mínimos.

Em algumas modalidades, o alcance pode chegar a famílias com renda de até cinco salários mínimos.

Além disso, o programa pode permitir descontos de até 90% no valor das dívidas, com juros estimados entre 2% e 2,5% ao mês.

Medidas podem incluir restrições ao crédito

O governo estuda impor restrições temporárias a quem aderir à renegociação.

Entre as medidas previstas estão limitações ao acesso a apostas eletrônicas e a linhas de crédito de alto custo, como cheque especial e rotativo do cartão.

Essas regras devem ser enviadas ao Congresso por meio de medida provisória.

Inadimplência segue em nível elevado

Dados do governo indicam que a inadimplência permanece alta no país. Em março de 2026, o índice atingiu 80,4% das famílias brasileiras.

Governo acompanha impactos da guerra no Oriente Médio

Durigan também comentou os efeitos da abertura do Estreito de Hormuz. Segundo ele, ainda há incerteza sobre a normalização do fluxo de petróleo.

“A gente precisa olhar isso com cuidado”, disse.

Além disso, o governo avalia novas medidas para conter impactos nos preços de combustíveis, gás de cozinha e querosene de aviação. As ações já incluem subsídios e redução de impostos, dentro do arcabouço fiscal.

O Brasil também deve manter coordenação internacional com FMI e outros países para monitorar os efeitos econômicos do conflito.

Brasil quer avançar na cadeia de minerais críticos

O governo brasileiro pretende ampliar sua participação na cadeia de minerais críticos, com foco em maior agregação de valor.

“Não pode ficar só na lógica de exportar matéria-prima”, afirmou o ministro.

A Política Nacional de Minerais Críticos está em elaboração e deve incluir terras raras. A previsão é de apresentação nos próximos dois a três meses, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM).

Brasil prepara resposta a investigação dos EUA

O governo também vai responder a questionamentos dos Estados Unidos em uma investigação comercial. O processo envolve temas como Pix, desmatamento e propriedade intelectual.

Segundo Durigan, a expectativa é que os argumentos brasileiros sejam considerados.

“Investigação não deve servir para justificar tarifas”, afirmou o ministro.

(*) Com informações do UOL