“Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2,10). O texto do Evangelho de Lucas faz memória da presença do Filho de Deus na humanidade. Concebido, gerado, dado à luz por Maria, suscitou alegria no povo, mas também em toda a criação. Foram ter com Ele-criança, ovelhas, dromedários, pastores, os homens do oriente, anjos. Se fez anúncio e anunciou a Boa Nova! Além de ser uma Boa Nova, proclamou o Reino da verdade e da graça, da justiça do amor e da paz. Todos convidados a participar do banquete da vida, do Reino. Não satisfeito em deixar-se como Reino de Deus visibilizado, entregou a missão a seus discípulos: Ide anunciar a Boa Nova a toda a criatura (cf. Mc).

A Vida consagrada, a vida religiosa é a recordação e, por que não, a visibilização de um novo modo de vida presencializado pelo Verbo feito carne. Um chamado para sair, encontrar os irmãos e irmãs. A vocação à liberdade e ao serviço.  Chamados a viver a alegria do Evangelho sob a inspiração e vigor do Espírito Santo. A alegria do Evangelho que é anunciado por palavras e obras. O anúncio da manifestação de Deus em nossa humanidade: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2,10). O anúncio testemunhal “a todas as nações, tribos, línguas e povos” (Ap14, 6). É a vocação do testemunho da alegria que o Evangelho é anunciado e está a frutificar. A vida consagrada, a vida religiosa, como o anúncio da liberdade que Jesus oferece a todos os que o seguem.

A Vida religiosa, não porque quer, mas porque é chamada e enviada em missão, manifesta a felicidade de carregar, trazer, gestar o Filho de Deus, como Maria. Bendito é o fruto do ventre, do coração da vida religiosa. Com filhos e filhas de Deus carregam e mostram o Evangelho na liberdade! Apressadamente, agilmente, de modo disponível, livre, pobre, humilde, “com o fruto do ventre, Jesus”, se dirigem para as regiões montanhosas do dia-a-dia, ao encontro dos necessitados no corpo e no espírito. Saúdam a todos com a presença do Filho de Deus. Entram livre e despojadamente na casa dos Homens e desumanados com a saudação da paz, fazem saltar de alegria o menino que dorme dentro de cada ser humano. Na presença ajudam para que cada casa se torne a casa do encontro, a morada de Deus e, por isso, cada ser humano recupere a alegria quase infantil e ingênua de viver, porque segura e certa da presença singela e humilde e livre de Deus.

A Vida religiosa no seu modo de ser é também um cântico, o Magnificat: “a minha alma engrandece ao Senhor e meu espírito exulta em deus meu salvador, porque olhou para a humildade de sua serva”. Todas as servas e os servos, a cantar, pois Ele em nós, o nosso tempo, o não-tempo, e que faz do tempo a eternidade. Nesse tempo de eternidade salta de alegria o menino, a inocência, que habita, que nos habita.

A vida religiosa a indicar sempre além, para além, porque chamada a ser presença do Reino, como toda a vocação. A vida religiosa esteja sempre na disponibilidade do serviço guiada pela esperança que não decepciona e cante as maravilhas que Deus continua a revelar nos dias de hoje.

Cardeal Leonardo Ulrich Steiner – Arcebispo Metropolitano de Manaus

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