Preso após mais de 30 horas de buscas, Fernando Batista de Melo, de 48 anos, pai que estrangulou e matou o próprio filho, de 3 anos, em Manaus, fez cortes superficiais nos próprios braços para tentar se passar por vítima, segundo a Polícia Civil do Amazonas. O crime ocorreu na noite de quinta-feira (22), no bairro Cidade de Deus, na zona Norte da capital.

De acordo com os investigadores, Fernando fez os cortes de forma proposital para simular sofrimento e criar a falsa impressão de uma tentativa de suicídio. A polícia descarta qualquer intenção real de tirar a própria vida.

As apurações indicam que o suspeito agiu de maneira estratégica ao provocar os ferimentos, com o objetivo de sensibilizar familiares e construir uma narrativa de sofrimento após o crime.

Cortes usados para manipulação emocional

Durante entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil, Bruno Fraga, afirmou que os ferimentos reforçam a frieza do suspeito. Segundo ele, Fernando tentou construir a imagem de vítima, mas a dinâmica do crime desmonta qualquer versão de descontrole emocional.

Ainda conforme a polícia, Fernando realizou uma chamada de vídeo para outro filho, que mora fora do país, na qual exibiu os cortes nos braços e pediu perdão. Para os investigadores, o gesto teve caráter de manipulação emocional e não relação com ideação suicida.

O delegado-adjunto da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Adanor Porto, informou que o próprio suspeito admitiu informalmente o objetivo dos ferimentos.
“Ele fez os cortes para tentar se passar por vítima. Em nenhum momento pensou em tirar a própria vida”, afirmou.

Prisão após cerco em área de mata

Policiais prenderam Fernando na madrugada deste sábado (24), em uma área de mata da avenida Esther Lanna, no bairro Tarumã, na zona Oeste de Manaus. A operação integrada das forças de segurança durou pouco mais de 30 horas e mobilizou policiais civis e militares, bombeiros, cães farejadores, drones termais e helicóptero.

Segundo a Polícia Militar, o suspeito se escondeu em uma área equivalente a cerca de 111 campos de futebol. Ele cavou buracos para se ocultar e tentou usar a chuva intensa para dificultar as buscas. Mesmo assim, equipes localizaram o homem após identificarem uma fogueira acesa em meio à mata.

No momento da abordagem, Fernando afirmou que praticava atividade física, mas acabou se identificando e se entregou sem resistência.

Crime e investigação

A Polícia Civil apurou que o crime ocorreu após o fim do relacionamento com a mãe da criança, encerrado em dezembro do ano passado. Fernando não aceitava a separação e, segundo a polícia, descumpria obrigações financeiras com os filhos.

Na tarde do dia do crime, ele foi até a casa da ex-companheira armado com uma faca e fez ameaças. Horas depois, buscou o filho na casa do próprio pai, alegando que daria banho na criança. A demora no banheiro levantou suspeitas, e familiares descobriram o crime em seguida.

O laudo pericial confirmou que a criança morreu por asfixia mecânica e não apresentava ferimentos por arma branca.

Fernando permanece na Delegacia de Homicídios, onde se manteve em silêncio. A Polícia Civil informou que deve indiciá-lo por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e meio cruel.

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