A Operação Erga Omnes deflagrada na manhã desta sexta-feira (20/02) em Manaus resultou na desarticulação de uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional e que teria movimentado R$ 70 milhões. Segundo as investigações, o grupo teria ligação com o Comando Vermelho e atuação estruturada no Amazonas e em outros Estados.
A ação contou com apoio integrado de forças de segurança do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, diante do alcance interestadual das movimentações financeiras e das conexões operacionais identificadas ao longo das apurações.
Veja o vídeo;
Operação desarticula grupo ligado ao Comando Vermelho no Amazonas pic.twitter.com/GUn795RB6x
— Portal Em Tempo (@portalemtempo) February 20, 2026
As investigações tiveram início após uma grande apreensão realizada em ação anterior, quando foram localizados mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo empregado na logística terrestre e aparelhos celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante na ocasião.
A partir desse episódio, foi instaurado inquérito para identificar a cadeia de comando, operadores logísticos, financiadores e colaboradores do esquema. Conforme a polícia, o grupo atuava com divisão de tarefas e organização em núcleos operacional, financeiro e logístico.
As apurações apontam que a organização utilizava rotas fluviais e terrestres para o transporte de entorpecentes, além de veículos alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento. Também foram identificadas empresas formalmente registradas nos ramos de transporte e locação, com indícios de funcionamento apenas documental, supostamente usadas para ocultar e movimentar valores de origem ilícita.
Relatórios de inteligência financeira revelaram movimentações bancárias consideradas atípicas e de alto valor, com transferências entre investigados, empresas ligadas ao grupo e pessoas em diferentes Estados. As análises indicaram incompatibilidade entre os valores movimentados e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos.
Entre os alvos da operação estão Izaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas; Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas; Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil; Alcir Queiroga Teixeira Júnior; Josafá de Figueiredo Silva, ex-assessor parlamentar; Osimar Vieira Nascimento, policial militar; Bruno Renato Gatinho Araújo; e Ronilson Xisto Jordão, preso no município de Itacoatiara.
Com autorização judicial, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além de medidas como quebra de sigilo bancário e fiscal, bloqueio e sequestro de bens e valores. Também houve extração de dados telemáticos de aparelhos celulares, que contribuíram para o mapeamento das conexões entre os investigados e da estrutura financeira do grupo.
A investigação aponta ainda indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais. Esse ponto segue sob apuração específica.
Segundo a Polícia Civil, a operação busca interromper a atuação da organização criminosa, preservar provas, rastrear ativos ilícitos e responsabilizar todos os envolvidos.
“A janela de investigação desse caso indica uma atuação de quatro anos onde o grupo movimentou cerca de 70 milhões. Agora, os custodiados devem responder por vários crime entre eles, organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio”, afirmou o delegado Marcelo Martins, titular do 24° Distrito Integrado de Policia (DIP).
Até o momento, as defesas dos alvos da operação não se manifestaram.
A Prefeitura de Manaus emitiu uma nota, na manhã de hoje, e negou que seja alvo da operação da polícia e destacou ainda que os investigados devem ser responsabilizados no rigor da lei.
Confira a nota na íntegra;
A Prefeitura de Manaus esclarece que não é alvo da operação realizada nesta sexta-feira, 20/2, pela Polícia Civil do Estado do Amazonas. Conforme informado pelas próprias autoridades, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município integram o objeto da investigação.
É inaceitável que setores da política tentem distorcer fatos para criar narrativas mentirosas e atingir a honra de quem tem trabalhado com responsabilidade pela cidade. A exploração oportunista de investigações que não envolvem a gestão municipal revela mais sobre os seus autores do que sobre os fatos.
A atual administração mantém compromisso absoluto com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Qualquer servidor eventualmente investigado responderá individualmente por seus atos, nos termos da lei, sem prejuízo do funcionamento regular da máquina pública.
Manaus não pode ser refém de ataques especulativos nem de tentativas de desinformação. A verdade prevalece nos fatos, não nas insinuações.
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