Deputado federal mais jovem da história do Amazonas, Amom Mandel construiu a trajetória política com foco em fiscalização, transparência e participação popular. Ele cursa mestrado em Ciência Política no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
Em 2020, foi eleito o vereador mais jovem de Manaus. Na Câmara Municipal, ganhou projeção ao denunciar irregularidades na gestão municipal. Ele expôs casos de “fura-filas” da vacinação contra a Covid-19; acionou a Justiça para suspender o ENEM durante a crise de oxigênio no Amazonas; denunciou o desvio de moradias destinadas a familiares de parlamentares municipais; posicionou-se contra o aumento de 83% no “Cotão” (verba indenizatória dos vereadores) e abriu mão do benefício.
No Congresso Nacional, criou o primeiro Edital Participativo de Emendas Orçamentárias do Amazonas, permitindo que a população indique a destinação de recursos públicos. Além disso, defende a Zona Franca de Manaus, sobretudo durante os debates da reforma tributária.
Ele também foi o primeiro deputado federal brasileiro a tornar público o diagnóstico de autismo. A partir disso, ampliou a atuação em pautas relacionadas a pessoas neurodivergentes e com deficiência. Atualmente, ocupa a vice-presidência da Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Em entrevista ao EM TEMPO, o parlamentar falou sobre a trajetória política, a relação com os eleitores, a atuação no Congresso, os projetos apresentados e os planos futuros.
EM TEMPO – O senhor foi eleito como um dos deputados federais mais jovens do país. Como a sua juventude influencia sua atuação na Câmara e sua relação com o eleitorado?
AMOM MANDEL – Juventude me dá duas vantagens: menos vício de Brasília e mais coragem de peitar o ‘sempre foi assim’. E me aproxima do eleitorado porque eu falo a mesma língua, presto conta em tempo real e não sumo depois das campanhas eleitorais.
ET – Quais foram as principais bandeiras que o levaram à política e o que mudou na sua visão desde que assumiu o mandato em Brasília?
AM – Entrei na política por transparência, fiscalização e por uma ideia simples: dinheiro público não é de ninguém, é de todo mundo. O que mudou em Brasília foi a escala do problema: a máquina é maior, as manobras são mais sofisticadas e, por isso, eu fiquei ainda mais focado em método, dados e rastreabilidade.
ET – Como o senhor avalia sua atuação até agora na Câmara dos Deputados? Quais projetos considera mais relevantes?
AM – Eu avalio pelo básico: fiscalização, prestação de contas e resultado prático para o Amazonas. O que eu considero mais relevante são iniciativas de transparência, integridade, melhoria de gestão e acessibilidade/inclusão, porque isso é o que muda a vida das pessoas.
ET – O senhor tem se posicionado de forma firme em temas como combate à corrupção e transparência. Quais medidas concretas defende para fortalecer esses pilares no Congresso?
AM – Fim de caixa-preta em emendas e convênios: tudo rastreável, com dados abertos e fácil de auditar. Voto e relatório claros (pra ninguém se esconder), regras duras de conflito de interesses e proteção real para quem denuncia irregularidade. Transparência não é slogan, é sistema.
ET – Representando o Amazonas, quais são hoje as maiores prioridades do estado que precisam de atenção do governo federal?
AM – Saúde funcionando, infraestrutura básica que não abandona a periferia e o interior, e logística e integração com responsabilidade. Também: educação e qualificação, conectividade (internet de verdade) e defesa de uma economia que gere emprego sem destruir o nosso maior ativo: a floresta.
ET – Como o senhor enxerga o debate sobre desenvolvimento econômico e preservação ambiental na Amazônia? É possível equilibrar crescimento e sustentabilidade?
AM – Dá para equilibrar, mas não com ‘papo’ vazio. O caminho é bioeconomia, ciência, tecnologia, regularização e combate ao crime ambiental — e não ‘liberou geral’. Crescer destruindo é empobrecer no longo prazo.
ET – O senhor já enfrentou críticas e embates públicos nas redes sociais e no plenário. Como lida com a polarização política atual no Brasil?
AM – Eu lido do jeito mais simples possível: fato, documento e voto. Eu debato tese, não pessoa, e não negocio a verdade para ganhar curtida. Polarização se vence com coerência e entrega, não com gritaria.
ET – Quais projetos de lei de sua autoria ainda pretende priorizar até o fim do mandato?
AM – Transparência e integridade (para fechar brecha de corrupção), acessibilidade e inclusão (com foco em PCD/TEA) e modernização de gestão pública (menos burocracia, mais eficiência). E tudo que ajude o Amazonas a ter serviços melhores sem depender de favor político.
ET – O senhor tem planos de disputar cargos no Executivo, como prefeitura ou governo estadual, no futuro? Como enxerga sua trajetória política nos próximos anos?
AM – Eu não tomo decisão por vaidade de cargo. Se fizer sentido para o Amazonas e tiver um projeto sério, eu avalio. Minha trajetória não é ‘subir degrau’; é resolver problema.
ET – Que legado o senhor gostaria de deixar ao final do seu mandato como deputado federal?
AM– Quero deixar duas coisas: resultado concreto e um padrão. Padrão de política que presta contas, não se vende, não se esconde e trata o mandato como serviço e não como carreira. E, claro: beba água.
