O governo do Amazonas divulgou neste sábado (17) um balanço da Operação Tamoiotatá, força-tarefa que reúne órgãos ambientais e de segurança pública para fiscalizar e combater crimes como desmatamento ilegal e queimadas. Segundo os dados estaduais, a operação soma R$ 235,9 milhões em multas ambientais e apenas duas prisões.
A fiscalização também contabiliza 504 autos de infração e 296 termos de embargo, que abrangem mais de 34,8 mil hectares. No entanto, o balanço não informa quando ocorreram as duas prisões, quais crimes motivaram as detenções ou se os casos estão diretamente relacionados aos incêndios florestais. O governo também não detalha quanto das multas foi efetivamente pago.
Veja os principais números da fiscalização:
- R$ 235,9 milhões em multas ambientais aplicadas;
- Duas prisões citadas no balanço;
- 504 autos de infração registrados;
- 296 termos de embargo emitidos;
- Mais de 34,8 mil hectares embargados;
- 13 municípios abrangidos pela operação;
- 412 servidores mobilizados, segundo o governo.
Iniciada em 23 de fevereiro, a Operação Tamoiotatá chegou à décima fase. Além de fiscalizar áreas suspeitas de crimes ambientais, a força-tarefa realiza ações de campo para identificar infrações, aplicar sanções administrativas e contribuir para a responsabilização de possíveis infratores.
Amazonas tem mais de 22 mil focos combatidos
O balanço estadual também aponta 22.557 focos de incêndio combatidos pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) entre 1º de junho e 16 de outubro.
Desse total, 17.959 ocorreram no interior e 4.598 em Manaus. Os números correspondem aos focos combatidos no período e não indicam, necessariamente, quantos incêndios continuam ativos.
Polícia registra 90 ocorrências de incêndios em vegetação
A Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) registrou 90 ocorrências de incêndios em florestas ou outras formas de vegetação entre janeiro e outubro de 2026, segundo os dados divulgados pelo governo estadual.
No mesmo período, a unidade contabilizou 567 procedimentos e Verificações de Procedência das Informações (VPIs) relacionados a possíveis crimes ambientais. O levantamento inclui ainda 151 registros de desmatamento, 66 de incêndios em geral e 14 de poluição atmosférica.
Uma ocorrência, porém, não significa que a polícia já identificou um responsável ou que o caso resultou em processo criminal.
Para avançar nas investigações, a Dema pretende solicitar ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Com essas informações, a delegacia busca identificar proprietários de imóveis em áreas atingidas e verificar possíveis responsabilidades pelos incêndios.
Outras operações reforçam a fiscalização
Além da Tamoiotatá, o governo estadual mantém a Operação Alerta Fogo, coordenada pelo Ipaam. As equipes utilizam drones, imagens de satélite, dados de monitoramento e veículos conectados à internet para localizar focos de calor e direcionar a fiscalização.
Já a Operação Amazonas Mais Verde, iniciada em maio, atua em 33 municípios. Entre as medidas anunciadas estão a entrega de equipamentos, o reforço das equipes e a contratação de brigadistas florestais.
Segundo o balanço estadual, o número de municípios com bases permanentes de combate a incêndios passou de 11 para 25 entre maio de 2025 e maio de 2026. Atualmente, mais de mil bombeiros e brigadistas participam das ações.
Governo pede quatro aeronaves para combater incêndios
Diante da extensão das áreas atingidas e das dificuldades de acesso, o comando do CBMAM solicitou ao governo federal quatro aeronaves de grande porte para combater incêndios entre 25 de outubro e 25 de dezembro. O pedido também inclui transporte aéreo de tropas e reconhecimento das áreas afetadas.
Embora aeronaves já atuem no estado, inclusive em Autazes, o comando dos Bombeiros afirma que os recursos disponíveis são limitados diante das distâncias e da dimensão dos incêndios.
Além disso, em 10 de outubro, o governo estadual decretou situação de emergência por 180 dias em áreas de municípios afetados pelo fogo e proibiu o uso de queimadas por 120 dias.
Balanço não detalha resultados das multas
Apesar dos R$ 235,9 milhões em multas anunciados, o governo não informa quanto desse valor foi efetivamente pago. O material também não esclarece quantas autuações avançaram para investigações criminais, indiciamentos ou ações judiciais.
Da mesma forma, os dados não detalham as circunstâncias das duas prisões citadas na Operação Tamoiotatá. Por isso, o balanço não permite determinar quantas pessoas foram responsabilizadas criminalmente pelos incêndios nem quais foram os resultados das detenções.
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