A Polícia Federal (PF) cancelou os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o descumprimento de uma decisão judicial que determinava a entrega dos documentos. Até o momento, não há registro formal de saída do senador do Brasil.

Diante do descumprimento, a PF vai informar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sobre o caso.

O cancelamento ocorre em meio a suspeitas de que Flávio, derrotado nas eleições presidenciais de 2026, tenha cruzado a fronteira com a Argentina usando apenas a carteira de identidade. A suspeita é de que ele pretendesse seguir para os Estados Unidos em um jato executivo.

A hipótese ganhou força nesta terça-feira (27), após publicação do site argentino Infobae. Segundo a reportagem, o senador estaria em Puerto Iguazú, cidade argentina próxima à fronteira com o Brasil. De lá, ele viajaria aos Estados Unidos em um Gulfstream G400, de registro LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A.

Além disso, a imprensa argentina informou que a Casa Rosada não tinha registro da entrada de Flávio no país até o momento.

O senador é investigado em dois inquéritos no STF. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas on-line. No outro, a investigação apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Irmão está nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, permanece nos Estados Unidos, apesar de ter um mandado de prisão em aberto no Brasil, segundo registros judiciais divulgados pela Agência Brasil.

Na semana passada, o ex-deputado federal, que teve o mandato cassado, defendeu que Flávio deixasse o país caso perdesse a eleição.

Eduardo foi condenado a quatro anos de prisão por articular sanções contra autoridades brasileiras e medidas tarifárias dos Estados Unidos sobre exportações do Brasil. Segundo o processo, as ações buscavam evitar a condenação de seu pai no caso da trama golpista.

PL reconhece vitória de Lula

Embora Flávio não tenha reconhecido a derrota no segundo turno e tenha anunciado que tentaria anular o resultado, o Partido Liberal (PL) reconheceu publicamente nesta terça-feira (27) a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula foi reeleito presidente com uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.