Maria Madalena vê a pedra da entrada do túmulo removida e interiormente grita: Tocaram no túmulo de meu Senhor. E no ver não vendo, no seu espanto, nem sequer se aproxima do túmulo, sai em busca de refúgio e consolo junto a Pedro e João.
Os dois discípulos corriam juntos, mas um sempre é mais ágil, mais jovem e chega primeiro. O atleta do amor chega primeiro, mas não entra, olha e vê apenas as faixas. Chega também Pedro. Entra, olha, toca as faixas, os panos, mas não vê o seu Senhor. De tudo o que fora depositado no sepulcro restam apenas os panos, as faixas; apenas sinais de que o Senhor estivera ali, mas a Ele não o viram.
Rompeu-se o silêncio do sepulcro, removida está a pedra; a entrada do túmulo está livre; no sepulcro vazio encontram apenas sinais de sua presença. Presença ainda mais morta que o corpo morto; presença morta, invisível aos olhos e imperceptível às mãos. Do Senhor morto apenas restaram sinais: faixas e panos.
O túmulo vazio não conduz ao Homem das dores, o túmulo vazio não revela a Vida nova, o túmulo vazio ainda não diz do Ressuscitado. O túmulo vazio traz o vazio da perda que se transforma no vazio interior de quem perdeu o convívio e, também, o corpo. O vazio do vazio desperta para ver o que nossos olhos não veem. O vazio, no nada dos sinais a alma enamorada abre-se para o encontro com o Senhor.
Assim, o vazio do túmulo se faz caminho. O caminho da fé, não da certeza; da fé, não da segurança. Quase intrigante o silêncio com que a Igreja encerra o texto do Evangelho da Páscoa: de fato, eles ainda não tinham compreendido a escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
E, talvez, o silêncio do túmulo vazio que guarda apenas sinais, faça ver que a fé no Homem das dores-ressuscitado não pode desabrochar de sinais de um túmulo vazio. Mas, o vazio do túmulo com seus sinais, talvez, esvazie a alma de tantos desejos e não desejos, de conceitos que não geram, de tantos saberes que não sabem, de tantas seguranças-inseguras, de tantas aparências e “aparecências”, de tantos tesouros escavados na terra do nada, e preparem para o encontro com o Ressuscitado.
No vazio da finitude, meditamos a vida! Um grande místico diz que o vazio é fecundo. Uma alma vazia, uma alma livre (Mestre Eckhart), está pronta para o encontro com o Amor; uma alma livre, esvaziada, despojada, onde foi removida a pedra da entrada, que não guarda mais as exterioridades, que não mais vive dos sinais aparentes de faixas e panos, se apressa, corre na espera de que o Amado venha, bata à porta e entre. A alma livre desejosa, amante, corre o risco do encontro.
O túmulo vazio, o vazio dos túmulos, talvez seja apenas preparação, disposição, para o encontro com o Ressuscitado. E quando Ele aparecer, quando ele se tornar a razão da vida, das dores, dos sofrimentos, dos panos que restaram, dos sinais perceptíveis aos olhos, então serão sinais que possibilitam o encontro com o Vencedor da morte, a Luz.
Os anjos da cor do sol, a anunciar: ressuscitou! Procurar o Vivo entre os vivos. Ele ressuscitou, o Vivente! Aleluia!

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