A preservação da Zona Franca de Manaus (ZFM) aparece entre as principais bandeiras do pré-candidato ao Senado, Marcelo Ramos (PT). Em entrevista exclusiva ao Em Tempo, ele defendeu o modelo econômico e classificou o ato como uma obrigação de qualquer parlamentar amazonense.
“A Zona Franca é o principal instrumento de desenvolvimento do Amazonas. São mais de 500 mil empregos gerados. A ZFM evita que nossa economia migre para atividades primárias mais agressivas ao meio ambiente”, afirmou.
“Se a floresta ainda é preservada, é porque nós temos a Zona Franca de Manaus”, completou.
Ramos destacou que a reforma tributária protegeu de forma consistente a ZFM. No entanto, afirmou que o estado precisa se preparar para os próximos desafios.
“No dia 1º de janeiro de 2033, só Manaus terá esse modelo de renúncia fiscal como tem a ZFM. Todos os outros incentivos fiscais do Brasil vão acabar e isso é uma janela de oportunidades imensa. Nós precisamos preparar o Amazonas para esse momento”, disse.
Segundo ele, entre as prioridades estão a melhoria da infraestrutura logística, a navegabilidade dos rios durante todo o ano, a sinalização das hidrovias e a conclusão do trecho do meio da BR-319.
“Precisamos investir fortemente em educação para formar uma juventude capacitada para aproveitar essa janela de oportunidades e construir um futuro de prosperidade”, acrescentou.
Escala 6×1
Outro tema defendido pelo pré-candidato é a redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1. Para ele, o modelo atual afeta diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores.
Marcelo Ramos citou como exemplo a rotina de uma trabalhadora que passa horas no transporte coletivo para cumprir uma extensa jornada diária.
“Uma mulher que acorda de madrugada, passa horas no ônibus, trabalha o dia inteiro e retorna para casa à noite praticamente não tem vida. Precisamos permitir que as pessoas vivam com dignidade e não apenas trabalhem”, argumentou.
Na avaliação dele, trabalhadores mais descansados e com maior convivência familiar tendem a apresentar melhores índices de produtividade. Dessa forma, a medida também pode beneficiar a economia e o setor empresarial.
Apoio ao governo Lula
Advogado, consultor e pré-candidato ao Senado pelo PT, Marcelo Ramos afirmou que pretende retornar ao Parlamento para oferecer ao povo do Amazonas uma alternativa progressista alinhada ao projeto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante a entrevista ao Em Tempo, Ramos destacou que sua experiência em Brasília e o conhecimento sobre as demandas do estado o credenciam para disputar uma vaga no Senado em um momento que considera decisivo para a política nacional.
Segundo ele, a candidatura busca fortalecer a democracia, preservar as instituições e defender os interesses do Amazonas no Congresso Nacional.
“Tenho quase que o dever de oferecer ao povo do Amazonas uma alternativa progressista vinculada ao projeto do presidente Lula, que conhece a Zona Franca, tem conhecimento de Brasília e capacidade de articulação. O momento exige a disputa de uma eleição majoritária”, declarou.
Além disso, Marcelo Ramos afirmou que o Senado será um dos principais espaços de disputa política nos próximos anos e que pretende contribuir para fortalecer a atuação do governo federal.
“Há um desejo da oposição de formar maioria no Senado para emparedar não só o governo do presidente Lula, mas também instituições como o Supremo Tribunal Federal. Quero oferecer uma alternativa democrática, progressista e comprometida com a estabilidade institucional”, afirmou.
Ao avaliar a atuação do governo federal no Amazonas, Marcelo Ramos comparou as gestões de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, os investimentos federais recentes demonstram maior atenção às demandas da região.
“O mínimo de reflexão racional nos dá certeza de que o Lula é melhor para o Amazonas. O presidente retomou obras importantes, refez as pontes que caíram na BR-319, está asfaltando trechos da rodovia, retomou programas como o Minha Casa Minha Vida e anunciou investimentos relevantes para o estado”, disse.
Experiência e entregas no Amazonas
Marcelo Ramos afirmou que sua trajetória política não deve ser medida apenas pelos resultados eleitorais, mas também pelas ações realizadas ao longo de duas décadas de vida pública.
“Procuro avaliar minha trajetória por quantas pessoas fui capaz de ajudar. Fui o deputado que mais destinou recursos para a capital e para o interior durante a pandemia. Participei da implantação de usinas de oxigênio em municípios como Careiro Castanho, Parintins e Coari, além de contribuir para a instalação das primeiras UTIs no interior do Amazonas”, destacou.
Além disso, ele lembrou sua atuação na aprovação do regime especial tributário do programa Minha Casa Minha Vida.
Diálogo com eleitores de diferentes ideologias
Questionado sobre como pretende dialogar com o eleitorado conservador do Amazonas, Marcelo Ramos defendeu a diferenciação entre posições econômicas e valores comportamentais. Além disso, criticou a polarização política.
“O Brasil tem confundido muito o que é ser de direita e o que é ser conservador. Sou um cara de esquerda, que entende que o Estado deve combater as desigualdades sociais. Sou contra qualquer radicalismo. O Estado tem que intervir no que é essencial na economia”, declarou.
O pré-candidato afirmou ainda que mantém posições moderadas em diferentes temas e se definiu como um democrata contrário aos extremos.
“A sociedade é muito mais complexa do que essa divisão simplificada entre esquerda e direita. O que contamina a política brasileira hoje é a intolerância, especialmente de setores que não respeitam as instituições democráticas”, concluiu.
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