A resposta da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) ao ofício encaminhado pelo deputado federal Amom Mandel (Republicanos-AM) sobre o preço das passagens aéreas na rota Manaus-Parintins durante o Festival Folclórico de Parintins reacendeu o debate sobre o acesso da população amazonense ao evento.
Segundo o documento enviado ao parlamentar, a ANAC reconhece que a tarifa média praticada no mês de junho aumentou nos últimos anos. De acordo com a Agência, a elevação está relacionada ao crescimento da demanda no período do festival.
Além disso, a ANAC informou que, desde 2025, a Azul e sua subsidiária Azul Conecta concentram a totalidade dos voos na rota Manaus-Parintins-Manaus.
ANAC reconhece aumento das tarifas na rota Manaus-Parintins
Para Amom Mandel, a resposta reforça a preocupação com o impacto dos preços em uma rota considerada estratégica para o Amazonas.
“Quando a resposta oficial diz, na prática, que o preço sobe porque a demanda aumenta e que quem quiser pagar menos deve comprar antes, ela ignora a realidade de muita gente no Amazonas. Nem todo mundo consegue se planejar com meses de antecedência. Nem todo mundo tem limite no cartão, dinheiro guardado ou previsibilidade de agenda. O resultado é simples: o festival fica mais distante do próprio povo que sustenta essa cultura”, afirma Amom.
O ofício enviado pelo deputado apontou casos de passagens para o Festival de Parintins de 2026 sendo comercializadas por mais de R$ 4,7 mil por trecho, tanto na ida quanto na volta. Dessa forma, o custo total da viagem poderia chegar a aproximadamente R$ 9,5 mil para um percurso de pouco mais de uma hora entre Manaus e Parintins.
Segundo o levantamento apresentado pelo gabinete parlamentar, os preços fora do período do festival costumam ser menores.
Oferta de assentos caiu 42% entre 2022 e 2025
Na resposta ao ofício, a ANAC informou que o transporte aéreo doméstico opera sob regime de liberdade tarifária, o que significa que a Agência não define nem limita os preços cobrados pelas companhias aéreas.
O órgão também afirmou que não realiza monitoramento específico de tarifas por rota isolada, mas acompanha dados gerais do mercado aéreo nacional.
Além disso, a Agência destacou que a oferta de assentos na rota Manaus-Parintins-Manaus caiu cerca de 42% entre 2022 e 2025.
Segundo a própria ANAC, a combinação entre aumento da demanda e redução da oferta contribui para a elevação dos preços durante o período do festival.
A Agência também informou que passageiros que compram bilhetes com antecedência tendem a encontrar tarifas mais baixas.
Baixa concorrência preocupa usuários da rota
Outro ponto citado pelo parlamentar envolve a quantidade de reclamações registradas oficialmente.
A ANAC informou que a plataforma Consumidor.gov.br é o canal oficial para manifestações dos passageiros e que identificou apenas uma reclamação relacionada aos preços da rota Manaus-Parintins durante o Festival de Parintins nos últimos cinco anos.
Nas plataformas Ouvidoria e Fala.Br, segundo a Agência, não foram encontrados registros sobre o tema.
Para Amom, o número não representa a realidade enfrentada pelos usuários.
“Eu recebo dezenas de reclamações de cidadãos todos os anos. Gente que sonha em ir ao festival, mas desiste quando vê o preço. Gente de Parintins, de Manaus, trabalhadores da cultura, famílias, pequenos empreendedores. O fato de a reclamação não virar protocolo oficial não significa que o problema não exista. Significa que o Estado ainda está distante da forma como o cidadão comum reclama, sofre e pede socorro”, critica o deputado.
Amom defende medidas para ampliar o acesso ao festival
Dados encaminhados pela ANAC mostram que a tarifa real média da rota Manaus-Parintins-Manaus durante o mês do festival passou de R$ 663,35 em 2022 para R$ 1.352,19 em 2025, o que representa aumento aproximado de 104%.
Além disso, a taxa média de ocupação dos voos durante o Festival de Parintins de 2025 chegou a 89,5% na ida e 91,8% na volta.
Para o parlamentar, o debate envolve temas como conectividade regional, concorrência, turismo e acesso à cultura.
“O Festival de Parintins não pode ser tratado como privilégio de quem pode pagar qualquer preço. Ele movimenta a economia, fortalece a cultura amazônica e projeta o Amazonas para o Brasil e para o mundo. Se a rota tem pouca concorrência, alta previsível de demanda e preços que excluem a população, o poder público precisa olhar para isso com seriedade”, afirma Amom.
O deputado informou que continuará cobrando respostas da ANAC, do Ministério de Portos e Aeroportos e dos órgãos de defesa da concorrência e do consumidor sobre medidas voltadas à ampliação da oferta de voos e à redução dos impactos da alta sazonal das tarifas.
Entre as propostas defendidas estão o fortalecimento da aviação regional na Amazônia, maior transparência sobre a formação dos preços, acompanhamento específico de rotas com baixa concorrência e planejamento antecipado para eventos de grande porte.
“Quando todo mundo sabe que a demanda vai explodir no último fim de semana de junho, não dá para fingir surpresa. O festival acontece todo ano. O povo reclama todo ano. A passagem dispara todo ano. O mínimo que se espera é planejamento, concorrência e respeito com quem vive na Amazônia”, conclui Amom.
(*) Com informações da Assessoria
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