A taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIA+ chegou a 15,2%, o dobro da média nacional, que é de 7,7%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2024.

Um estudo divulgado em maio pelo governo brasileiro, em parceria com o Banco Mundial, estima que a discriminação contra pessoas LGBTQIA+ gera uma perda anual de R$ 94,4 bilhões em rendimentos no país, o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Discriminação impacta economia e mercado de trabalho

O levantamento aponta que a exclusão no mercado de trabalho não afeta apenas a renda individual, mas também a economia nacional.

Além disso, o estudo indica que barreiras de acesso ao emprego e ambientes hostis contribuem para a permanência de desigualdades estruturais.

Dia do Orgulho LGBTQIA+ marca luta por direitos

O tema ganhou destaque no sábado (28), quando é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. A data busca conscientizar a sociedade sobre o respeito às diferenças e incentivar a garantia de segurança e dignidade para pessoas com diferentes orientações sexuais e identidades de gênero.

A data remete aos protestos iniciados em 28 de junho de 1969, após uma ação policial no bar Stonewall Inn, em Nova York, considerado um marco da luta pelos direitos da população LGBTQIA+.

Relatos mostram desafios no ambiente de trabalho

Por trás dos números, profissionais relatam dificuldades para conseguir emprego e permanecer em ambientes onde possam exercer suas funções sem esconder a própria identidade.

A analista administrativa Thamilys Trindade, 27 anos, afirma que o acesso ao trabalho para pessoas homoafetivas envolve também questões de segurança emocional.

“É algo que sempre converso com meus amigos. Sempre temos o sentimento de querer demonstrar ou suprir algo em casa, mostrar que não somos um ‘erro imposto pela sociedade’, que nossa sexualidade é apenas um detalhe”, diz.

Ela relata que, em empregos anteriores, evitava falar sobre o relacionamento com a esposa após ouvir comentários homofóbicos de colegas. O comportamento mudou quando passou a trabalhar no Grupo Tapajós, há dois anos.

“Tenho até uma foto na tela do meu computador do dia em que a minha esposa me pediu em casamento. Me sinto muito confortável, pois aqui no Grupo consigo falar abertamente e de forma natural sobre a minha sexualidade”, comenta.

Ambiente de trabalho influencia inclusão

O auxiliar de estoque Daniel Figueiredo, 21 anos, também relata mudanças positivas ao entrar em um novo emprego.

Segundo ele, a expectativa inicial era enfrentar dificuldades em um ambiente majoritariamente masculino e heterossexual.

No entanto, a experiência foi diferente.

“Eles fizeram questão de me incluir nas programações, em tudo o que faziam. Também descobri que havia outros homossexuais no setor, então fiquei mais à vontade”, relata.

Representatividade no ambiente profissional

A vivência no mercado de trabalho pode ser ainda mais complexa para pessoas com expressão de gênero mais visível.

O operador de caixa Tiago Marques, 22 anos, pessoa não binária, relata que já enfrentou situações de preconceito por parte de clientes.

Ao mesmo tempo, ele destaca a construção de vínculos no ambiente de trabalho.

“Pra gente, que tem essa aparência, a experiência é diferente, mas há clientes com os quais criamos fidelidade, porque estão ali na farmácia com frequência”.

Tiago também afirma que ocupar esses espaços tem impacto para outras pessoas.

“Acho que ocupar essa posição, sendo como eu sou, inspira outras pessoas parecidas comigo a buscarem também um trabalho”.

(*) Com informações da Assessoria

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