O pastor e empresário Marcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira (2), durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF). A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e ao pagamento de propina a agentes públicos.
Os agentes localizaram Poncio em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Conhecido nas redes sociais, ele é pastor da Igreja da Nuvem e pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K.
Segundo a Polícia Federal, Marcio Poncio mantinha ligação com a organização criminosa comandada pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Além disso, os investigadores apontam Adilsinho como líder da nova cúpula do jogo do bicho e da chamada Máfia do Cigarro.
Nesta etapa, a PF aprofunda as investigações sobre o esquema de lavagem de dinheiro. Ao mesmo tempo, os investigadores analisam possíveis vínculos da organização com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Além disso, a Justiça expediu mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Os dois permanecem presos. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a transferência de Bacellar para um presídio federal. Além disso, o ministro autorizou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.
Operação surgiu após investigação sobre venda de cigarros
Antes disso, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fumus, em 2021, para investigar um suposto esquema de monopólio na venda de cigarros na região metropolitana do Rio de Janeiro. Agora, a quinta fase da Operação Unha e Carne amplia essas investigações.
Durante a operação, os policiais encontraram planilhas com registros de supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras. Depois disso, a investigação passou a apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis repasses a agentes políticos.
Além disso, os investigadores afirmam que pelo menos 20 políticos podem ter recebido pagamentos mensais de Adilsinho.
Operação ampliou o foco das investigações
A Polícia Federal iniciou a Operação Unha e Carne em dezembro de 2025 para apurar um suposto vazamento de informações sigilosas que teria beneficiado integrantes do Comando Vermelho (CV).
Em seguida, a investigação ampliou o foco e passou a incluir autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Entre os investigados estão o ex-deputado Rodrigo Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e o deputado estadual Thiago Rangel.
Por fim, na quarta fase da operação, a PF prendeu Thiago Rangel por suspeita de participação em fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.

* Com informações do G1
Leia mais
Falso funcionário de porto é preso após aplicar golpes de mais de R$ 200 mil em Manaus
Homem é preso por extorquir mulheres com falsas dívidas do tráfico no AM
