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    Coari

    A igreja do Amazonas vive neste domingo um evento histórico. Com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, que é quem representa a Santa Sé junto ao governo brasileiro e junto à igreja o papa, bem como bispos de toda a região, padres, diáconos, religiosos e religiosas, mas acima de tudo o povo de Deus, será instalada a Diocese de Coari.


    Depois de uma caminhada de cinquenta anos como prelazia, a porção do povo católico que vive nos municípios de Coari, Manacapuru, Codajás, Anori, Beruri e Anamã, veem a sua igreja local chegar à maturidade. Com um número suficiente de padres nascidos na região, com autonomia administrativa e pastoral, nasce uma nova diocese, uma igreja local onde está presente o mistério da igreja universal, sendo plenamente Corpo de Cristo e sacramento dele no mundo. 

    Isto se dá com a condição de que permaneça em comunhão com a igreja de Roma, presidida pelo sucessor de Pedro, que a reconheceu como tal e nomeou dom Marcos Piatek seu primeiro bispo.


    Coari tem estado no noticiário nos últimos anos por motivos torpes e que envergonham a sua população. Queremos hoje homenagear a grande maioria da população que luta dia a dia para ganhar a vida com o suor de seu rosto, que sonha em educar seus filhos e vê-los constituindo famílias unidas e pacíficas. Não queremos ignorar a grande multidão que segue Jesus Cristo, que celebra os sacramentos, que ouve a Palavra, que se reconcilia com Deus e com os irmãos.

    Existem na Igreja de Coari centenas de comunidades que vivem a fé católica, que se organizam por mais cidadania, que evangelizam. São inúmeros os agentes de pastoral, ministros e ministras, catequistas e dirigentes de celebração que nas comunidades, pastorais e movimentos dão testemunho de vida renovada e anunciam o Evangelho.


    Tudo isto será celebrado com alegria e gratidão, mas também com o compromisso de continuar a evangelização com novo ardor, com generosidade, com criatividade e alegria e não deixando morrer a profecia, mesmo quando tudo parece perdido.

    Não podemos permitir que nos roubem a esperança. A instalação da diocese se dá no tempo quaresmal e em plena Campanha da Fraternidade e o roxo dos paramentos pode não parecer apropriado para um dia de festa.


    No domingo passado, o Evangelho anunciado lembrava as tentações de Jesus, que são as tentações da igreja: não querer seguir o caminho da cruz e tornar-se uma espécie de tenda dos milagres onde se buscam soluções para os problemas causados pela nossa incúria e pecado, buscar a ostentação e o espetáculo como caminho de convencimento, aliar-se ao poder e vender-se a ele.


    A tradição da igreja de Coari, a coragem e o discernimento de seus bispos, sobressaindo o daquele que também é seu filho, dom Gutemberg Freire Regis, a garra de seus presbíteros, a generosidade de suas religiosas, e a fé do seu povo nos fazem crer que a igreja que nasce hoje será fiel a Jesus Cristo e ao seu Evangelho, será luz e fermento e não perderá o sabor. Fazemos votos que nela se viva a liberdade e que nela cresçam homens e mulheres livres, porque
    para isto Cristo nos libertou.