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Alta dos alimentos prejudica alimentação das famílias do Amazonas

De acordo com fontes ouvidas pelo EM TEMPO, a renda não tem sido suficiente para comprar alimentação suficiente para a família

Manaus (AM) – Com o aumento dos preços dos alimentos, desemprego e diminuição da renda de microempreendedores, famílias do Amazonas têm sido afetadas. De acordo com fontes ouvidas pelo EM TEMPO, a renda não tem sido suficiente para comprar uma cesta básica completa com alimentação para um mês, incluindo proteínas, carboidratos, verduras, legumes e frutas.

Segundo pesquisa Datafolha do final de março, um de cada quatro brasileiros disse que a quantidade de comida disponível foi inferior à necessária para alimentar a família nos últimos meses.

De acordo com o economista Ailson Rezende, o Amazonas, apesar de contar com o Polo Industrial de Manaus (PIM), sofre com o desemprego e a precarização das atividades remuneradas. Ele afirma que houve aumento nas microempresas individuais, por conta disso, cresceu a informalidade. Como resultado, veio a redução da renda e a perda do poder de compra das famílias.

“As famílias da classe C estão com dificuldades devido, principalmente, a perda dos empregos. No entanto, as famílias das classes D e E, de renda menor, foram afetadas com mais intensidade pela inflação e pelos aumentos contínuos dos gêneros alimentícios. Não devemos esquecer que os aumentos sucessivos dos combustíveis e da energia elétrica tiveram forte influência no índice de inflação, agravando a situação de insegurança alimentar das famílias mais carentes”, disse.

O economista destaca que o amazonense tem enfrentado a alta dos alimentos como pode, fazendo pesquisa de preços, aproveitando as promoções e principalmente substituindo os produtos por similares mais baratos, mas ainda assim não tem sido fácil para o cidadão.

“No caso das proteínas fica difícil, pois a carne (suína e bovina), o frango e o peixe estão muito caros. O ovo que era a alternativa mais viável às proteínas agora está mais caro, dificultando a vida das famílias em vulnerabilidade social. Os governos estadual e federal ajudam como podem, com os auxílios e os programas sociais, no entanto esta ajuda ameniza a situação, mas não resolve o problema da insegurança alimentar”, afirmou Rezende.

De acordo com o consultor econômico e professor universitário Mourão Júnior, a questão não é só sobre aumento de preços, mas também da renda baixa e o desemprego.

“Várias pessoas passam situação de fome e a maneira para amenizar esse problema é com a criação de políticas públicas para que possa levar alimento a essas pessoas de renda baixa, ao mesmo tempo facilitar e desenvolver a economia, com políticas que promovam a geração de emprego. A inflação alta, que hoje está em torno de onze por cento, afeta as classes mais baixas. Então, é importante incentivar mais a agricultura familiar para que alimentos mais baratos possam ser oferecidos as classes mais pobres da população”, disse.

Ainda de acordo com o Datafolha, 53% das casas brasileiras atravessam o mês com menos de dois salários mínimos (R$ 2.424). Nelas, 35% acusaram falta de alimentos.

A microempreendedora, Tais Lizeu, 28 anos, se sente prejudicada com a inflação e o preço elevado dos produtos.

“Não conseguimos comprar tudo que precisamos, porque o preço está um absurdo, temos que correr para a promoção, cortarmos alguns produtos, mas não podemos deixar de comprar. A maioria dos mercados está vendendo quase no mesmo preço, principalmente o óleo, feijão, farinha de trigo, arroz”, disse.

Já para o consultor comercial, Samuel Paixão, o impacto é sentido, principalmente, noa alimentos básicos como pão, arroz, feijão e carne. E como forma de driblar a alta dos preços, decidiu alternar os produtos.

“Tivemos que optar por produtos alternativos, arroz ou macarrão, trocar café por achocolatados ou chás, pães por bolachas”, disse.

Conforme o nutricionista Luiz Eduardo Rodrigues, vários alimentos têm se tornado ausentes nas cestas básicas de grande parte da população

O nutricionista e especialista em saúde pública, Luiz Eduardo Rodrigues falou ao Em Tempo quais são os principais componentes para uma alimentação adequada.

“A alimentação deve ser composta pelos macronutrientes, que são os carboidratos, como: arroz, massas; os tubérculos também, como: macaxeira, cará, batata; e as proteínas, como: a carne vermelha, a carne de frango, peixe, leite, ovos que são fontes proteicas, além das gorduras, que a gente encontra em alguns frutos como a castanha, também tem o abacate que é rico em gordura. Além disso, importante incluir os micronutrientes, que são os nutrientes reguladores e nós encontramos principalmente nas frutas, verduras e legumes”, disse.

Conforme o nutricionista, esses alimentos têm se tornado ausentes nas cestas básicas de grande parte da população.

“Esses alimentos são bem importantes, principalmente, o arroz e feijão, que fazem parte do prato da população brasileira. E essa alimentação adequada é fundamental para que as funções do organismo funcionem de forma equilibrada. Por isso é bem importante ter esses alimentos na mesa”, concluiu.

Com base na Economia do Setor Público, dentre as funções do governo, cabe a este, na função estabilizadora, promover e manter a estabilidade de preços e emprego, a fim de gerar o bem-estar social.

O Em Tempo entrevistou o Deputado Federal Marcelo Ramos, que expressou sua opinião em relação ao problema que o país atravessa.

“No governo Bolsonaro já temos 19.1 milhões de brasileiros e brasileiras passando fome. O desmonte de políticas públicas, a inflação descontrolada sobre a comida e sobre gastos essenciais como energia e gás de cozinha e o desemprego que atinge mais de 13 milhões de pessoas levaram o Brasil de volta para o mapa da fome. Tenho destinado minhas emendas para ações de combate à fome, como restaurantes populares e compra de cestas básicas e apresentei PEC para obrigar todos os parlamentares a destinar pelo menos 5% das suas emendas para ações de combate à fome”, ressaltou.

Uma das políticas públicas implementadas pelo Governo do Amazonas para reduzir a fome é o programa “Prato Cheio”, que se trata de restaurantes populares instalados em comunidades onde há maior vulnerabilidade social.

Na última quarta-feira (20), foi entregue, no município de Tabatinga, o 17º equipamento do programa. De acordo com a deputada estadual Alessandra Campêlo (PSC) que foi a responsável, enquanto secretária estadual de Assistência Social, pelo planejamento da expansão do programa aos municípios, mais restaurantes populares serão abertos.

“O Prato Cheio de Tabatinga é um grande programa de combate à fome. Está sendo inaugurada lá uma cozinha popular determinada pelo governador Wilson Lima, e eu falo disso com muita alegria por ter sido como gestora da Seas a pessoa que concretizou esse projeto e que deixou programado para todo o estado 20 restaurantes no interior e 13 na capital”, disse.  

Segundo a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), no que tange ao número de famílias de baixa renda em Manaus, conforme o Cadastro Único, a base de dados conta com 281.615 famílias cadastradas, sendo 129.976 beneficiárias do Programa Auxílio Brasil, criado por meio da Medida Provisória nº 1.061, de 9 de agosto de 2021, em substituição ao Bolsa Família.

De acordo, ainda, com a Semasc, a Segurança Alimentar e Nutricional é a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e sem comprometer o acesso a outras necessidades importantes.

Para a operacionalização dessas ações, Manaus conta com seis cozinhas comunitárias, dois restaurantes populares e um Prato do Povo, totalizando quase 377 mil refeições servidas ao longo de 2021.

• Cozinhas Comunitárias

As cozinhas comunitárias são uma rede de proteção alimentar, em locais onde existem segmentos mais vulneráveis à fome, como trabalhadores formais e informais de baixa renda e desempregados, possibilitando-lhes o acesso a refeições balanceadas e de qualidade oriundas de processos seguros.

• Restaurantes Populares

O principal objetivo dos restaurantes populares consiste na oferta de refeições adequadas e balanceadas nutricionalmente ao preço de R$ 1 para a população considerada em vulnerabilidade social e detectada em insegurança alimentar. Também é objetivo desses restaurantes a multiplicação de informações aos usuários sobre a importância de uma alimentação equilibrada.

São ofertadas 500 refeições/dia, durante cinco dias por semana. Com isso, foram servidas 107.611 refeições ao longo de 2021.

Em dezembro, com a retomada das atividades do Parque Municipal do Idoso, o restaurante popular do espaço voltou a funcionar, atendendo os idosos frequentadores do parque e a comunidade do entorno.

• Prato do Povo

Em outubro de 2021, a Semasc inaugurou o Prato do Povo I – Viver Melhor, no residencial de mesmo nome. A estrutura tem o mesmo formato do restaurante popular, com 500 refeições vendidas diariamente (segunda a sexta-feira) pelo preço unitário de R$ 1. Este ano, o Prato do Povo I já serviu mais de 23 mil refeições

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